Quando parte do patrimônio está vinculada a uma empresa, o inventário envolve mais do que atribuir um valor às quotas. É preciso verificar como a sociedade continuará funcionando, quem pode administrá-la, quais direitos serão transmitidos e se haverá ingresso dos herdeiros ou pagamento dos haveres.
Quotas sociais podem integrar a herança
Se o falecido era titular de quotas ou ações, essa participação possui conteúdo econômico e precisa ser considerada no inventário. Contudo, herdar o valor da participação não significa, em todos os casos, ingressar automaticamente na sociedade ou assumir sua administração.
As regras dependem do tipo societário, do contrato social e de eventuais acordos entre os sócios.
O contrato social é o primeiro documento a ser verificado
O contrato pode prever o ingresso dos herdeiros, a continuidade com os sócios remanescentes, critérios de avaliação ou regras para liquidação da quota. Se for omisso, aplicam-se as regras legais pertinentes ao tipo societário.
- cláusulas sobre falecimento de sócio;
- regras para ingresso de sucessores;
- forma e prazo de apuração de haveres;
- restrições à transferência de quotas;
- quem possui poderes de administração e representação.
A empresa precisa continuar funcionando durante o inventário
Folha de pagamento, tributos, contratos, clientes e fornecedores não podem aguardar o encerramento da sucessão. Por isso, é necessário organizar quem continuará administrando a sociedade e como serão tomadas as decisões urgentes.
O inventariante representa o espólio, mas isso não o transforma automaticamente em administrador da empresa. Os atos societários devem respeitar o contrato e as regras aplicáveis.
Pode ser necessário apurar o valor das quotas
Se os herdeiros não ingressarem na sociedade, pode surgir o direito ao valor correspondente à participação do falecido. A apuração não deve se limitar ao capital social escrito no contrato.
Documentos contábeis, patrimônio, dívidas, resultados, data-base e metodologia de avaliação podem influenciar o valor. Divergências nessa etapa costumam exigir análise técnica e jurídica coordenada.
Documentos importantes para a primeira análise
A organização inicial reduz o risco de paralisação e ajuda a preservar o valor da atividade empresarial.
- contrato social e todas as alterações;
- acordo de sócios, se houver;
- balanços, balancetes e demonstrações contábeis;
- relação de dívidas, contratos e garantias;
- documentos bancários e fiscais;
- informações sobre empregados, administradores e procurações;
- registro de marcas, imóveis e outros ativos relevantes.
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